Faço que sim com a cabeça e espero a chef ir embora. Viro pro Fernando, suando de pânico e o puto me pergunta, Entendeu? Claro que não, porra! Só sei dizer meu nome, caralho! Depois do quinto palavrão e dos cinco minutos de gargalhadas dos companheiros da cozinha, me acalmo e peço que me traduzam a porra da ordem.
O gaúcho, ainda rindo, me mostra onde está a geladeira e me explica que a chef quer que eu prepare frango com pesto e batata com alecrim. Não tenho idéia do que seja pesto e muito menos sei identificar um alecrim. Vamos juntos e paro dentro da geladeira - um frio polar - tentando identificar os ingredientes, não consigo.
Com a calma dos farroupilhas, o chaval na maior cara lavada me diz, Bruno, fica tranquilo. Pega tudo que você achar bonito e colorido, coloca num pote e mistura com a galinha, vai ficar bom. Sem ter idéia do que estava fazendo, acabo misturando pesto, sal, azeite, pimenta e um dúzia de ervas diferentes. Boto no forno, com ajuda é claro já que não via nenhuma diferença entre 80 e 250 graus e espero.
No final da noite, a chef entra na cozinha, séria e pergunta: quem fez o frango? Na certeza da demissão, dou um passo a frente, cabeça baixa e espero. Ficou ótimo! Os clientes adoraram! (não entendi o que ela tinha dito, porém mais de uma pessoa me confirmou que era isso mesmo). A cozinha inteira segura o riso e eu lembro que na confusão não tinha provado minha própria comida.
Lição: faça rindo, não misture sabores fortes e ajuste o sal. O resto é virtuosismo.

Um comentário:
Mamãe me criou sem que eu nunca tivesse entrado da cozinha. Nunc fiz nem café.
eis que um dia, numa reunião clandestina do Partidão caio (na escala) na cozinha.
Ninguém acreditava que eu não era capaz de fazer nada. Mas, na verdade, eu não era.
Salvaram-me as outras mulheres que não tinham a sorte de ter a Vovó Zélia de mãe.
Beijos
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