domingo, 15 de fevereiro de 2009

Ah, domingo...

Domingo é um dia especial. Um dia em que a casa se torna um filho chato, daqueles que não gostam de banho nem de comer bem. É acordar e começar a arrumar, preparar comida pra semana e entre uma coisa e outra sacanear a esposa, que faz bem para a saúde.

Pois bem, baixamos uma lei no nosso reino: é proibido repetir pratos num período de duas semanas. Nesta, fizemos risoto de frango (à preguiça), carne moída no bacon, torta de aipim e o que restou da carne moída virou "moidinha no espinafre". Tudo fácil - que quem gosta de trabalho é chefe de cozinha.

Risoto a la preguiçoso:
1) Arroz branco cozido
2) Frango que sobrou de ontem desfiado
3) Um potinho de creme de leite
4) Cogumelo e uma lata de milho.

Olha que fácil: refoga uma cebola e alho no azeite, joga o cogumelo, depois o frango e então o milho (que não pode esquentar muito para não virar pipoca). Quando tiver quente, mistura o arroz e o creme de leite. Regula o sal e a pimenta e seja feliz. Nota: o risoto brasileiro é diferente do risoto daqui. A idéia e que o arroz fique bem molhado.

Carne moída enroladinha:
1) 500 gramas de carne moída;
2) Dez fatias de bacon (ou presunto de parma)
3) Mostarda (se puder uma diferente ou com mel ou com pimenta)

Mistura a carne na cebola e alho cru (picadinho), sal e pimenta. Coloque as dez fatias de bacon lado a lado e espalhe um pouco de mostarda sobre elas. Faça um rolinho de carne com as mãos e enrole com o bacon. Se tiver umas folhas de Rocket (não lembro o nome em portugês) coloque também. Quando estiver pronto, coloque na bandeja (funda pra não vazar a gordura) e forno. Controle pelo bacon, quando estiver queimadinho, pode tirar. Seja feliz! Mas não esqueça de tirar a gordura...

Torta de aipim.
1) Dois aipins grandes
2) três peitos de frango
3) funghi
4) creme de leite

Cozinhe os aipins até começar a desfazer. Em outra panela, é claro, refogue o frango na cebola e alho. Triture o fungui e misture com o creme de leite. Com o frango pronto, ainda na panela, misture com o molho até esquentar bastante - sem ferver. Amasse o aipim em um tabuleiro, jogue o frango e cubra com o que restou da mandioca. Espalhe maionese por cima e forno. Seja feliz por uma semana que isso é um bate entope da porra.

Boa semana e muita comida pra vcs. Stumble Upon Toolbar

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Rouco mas comendo

Domingo, dia de arrumar a casa e cozinhar pra semana. É, em tempos de crise o melhor é não gastar dinheiro na rua e comer no sacro-santo-lar. Entre os pratos obrigatórios, arroz, feijão e uma bacia de macarrão, sempre dá para encaixar algumas novidades: frango com molho de azeitona preta e cordeiro com molho de ervilha. Nada disso seria possível sem uma incrível invenção chamada triturador.

Cordeiro na ervilha:
Marina o cordeiro com o que vc quiser. Se possível inclua o sal e o azeite...No magnífico triturador, coloque uma lata de ervilha, duas cebolas e uns três dentes de alho. Dê uma trituradinha e adicione creme de leite. Deu! Jogue o molho sobre o cordeiro e mete no forno.

Frango afogado na azeitona preta
Marina o frango. Junte no potinho sal, pimenta, um pouquinho de canela, uma cebola, alho e, e, e...azeitona preta. Tritura, joga no frango e foooornoooo.

Depois é só comer... vai dizer que não ficou bom? Stumble Upon Toolbar

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

E Londres de novo...

Londres provoca um sentimento confuso. Ao mesmo tempo em que dá uma saudade da cidade e dos amigos, todos os cheiros e lugares me remetem diretamente à cozinha. Em resumo, quando estou longe, quero voltar; quando estou lá, quero ir embora. O que salva são os amigos e as risadas constantes.

Nesta última viagem, elegi o que mais gosto de comer em Londres: o full english breakfast. É uma tradição ao mesmo tempo simples e poderosa. Aqueles que não conhecem ficam meio assustados quando chega o prato. Duas salsichas, dois ovos, cogumelo, batata rostie, duas torradas, feijão, duas fatias de bacon, e tomates. Tradicionalmente, toda esta comdia deveria ser dragada com um bom copo de cerveja, mas, para a alegria e alívio do meu estômago, eu passo.

Comi isso todos os cinco dias em que estivemos lá. No último dia, com o estômago embriagado de whisky, cerveja e gordura, dei-lhe um presente: pedi - já no aeroporto - um cordeiro com purê de batatas. É comida de pub, mas bateu bem pra burro. Um dia pego a receita, um dia volto a escrever, um dia me mudo pra Londres só pra ter a sensação de que quero ir embora. Stumble Upon Toolbar

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Enfim a Aletria

Dez dias sem escrever...quem me dera eu vivesse só comendo e escrevendo. Mas nestas quase duas semanas de inatividade, continuei almoçando, jantando e juntando histórias.

Veneza

Veneza: Fomos à Veneza no ímpeto de quem não iria se não fosse a bendita promoção da companhia aérea. Cidade cara, muito cara. Quando um cappuccino custa 9 euros, alguma coisa está muito errada. Quanto às tais gôndolas, tiramos fotos e só. Nos recusamos a pagar 80 euros por quinze minutos de passeio. E a comida é a típica italiana. Falando nisso, comi um calzoni fantástico e um espaguete com tinta de lula que estava genial.

Aletria

Volta pra casa: Sem saco de cortar cebola para fazer o arroz, tentei de novo o arroz com aletria. Para quem não sabe é arroz misturado com aquele macarrão "cabelo de anjo". Já tinha tentado mil vezes antes, mas sempre fazia alguma coisa errada e a panela ia toda para o lixo.

Pois bem, para alegria geral conseguimos e, com isso, já posso dizer que poderei levar alguns anos à frente a tradição da família (quem nos conhece sabe que comer arroz branco é uma raridade). Conto o que fiz (mais fácil impossível):

1) Deixei o azeite esquentar bastante na panela,
2) Joguei duas mão de aletria
3) Mexi que nem um louco para não queimar
4) Joguei um copo de arroz quando a aletria já estava marronzinha
5) Cobri com um dedo de água,
6) Joguei um caldo knor de galinha
7) e pronto.

Ficou tão bom, que fiz o que sempre fazia quando minha avó preparava...abri um pão tirei o miolo e enchi de arroz. Lorena não entendeu nada....MISSION COMPLETED!

Mate

Encontrei mate Leão!!!!!! E ficou bom!!!!!

Obs: Valeu Vivian. Se não fosse vc não escreveria hoje. Quanto ao Caracol, tanto gostei que já comi mais. Stumble Upon Toolbar

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

E veio o prato de caracóis

Há alguns meses recebemos a visita do pai e da step mother da Lorena. Entre muuuito whisky e vinho, fomos parar em uma cidade no meio dos Pirineus. Depois de horas dentro do carro a fome começou a apertar, mas por aqui os restaurantes fecham depois das 15h para reabrir a noite e naquele momento o relógio marcava 16h.

Com a fome incomodando, paramos no primeiro restaurante aberto que apareceu. Segundo a tradição, começamos com vinho, pão e esperamos o garçom trazer o menu. Todos foram muito sábios, franguinho daqui, bife dali e eu, um macho querendo impressionar o sogro, não pensei duas vezes, De entrada quero caracóis!

Na minha inocente cabeça, o prato viria como o que comemos em Paris com ooooo Mancini. Caracóis devidamente limpos, imersos em um molho qualquer, como se escondendo da frescura humana. Mas não...

Quinze minutos depois, me vem uma bacia com mais de 40 caracóis devidamente enconchados. Eu não vi a minha cara, mas pela cara deles, a cena não era bonita. Passei os primeiros cinco minutos sem me mover tentando entender como comeria aquela carne.

Com um palito de dente longo, comecei a puxar os bichinhos de dentro das conchas, imediatamente a carne se enrola no palito (parece um verminho). Com os olhos bem abertos - e eu vou dar mole na frente do sogro - saboreei o primeiro dos quarenta. Para os nojentinhos de plantão a carne se parece muito com a de rã, só que escura.

No final das contas, passei a gostar da aventura e consegui comer quase tudo (sobraram dez conchinhas no prato). E que fique claro, não comi tudo pois o segundo prato já estava na mesa.

Já comi este prato de novo, mas agora caracóis do mar. Aqui se vende isso em qualquer esquina e até as crianças gostam.

Pra quem se aventurar:
Um saco de caracol
Dois tomates ralados
Uma cebola ralada
Um Pimentão em cubinho
Sal
Pimenta

Depois de bem lavados, colocar na agua com sal e deixar ferver (fogo baixo) por 10 minutos. As conchinhas que no começo estavam no fundo da panela vão boiar

Refogue os ingredientes, taque os caracóis dentro da panela cubra com água e espere 45 minutos. Depois disso é só partir pro abraço. Stumble Upon Toolbar

Capeletti à Churrasco

Era uma vez um capeletti e uma eterna culpa. Oooo Mancini é um grande amigo e sempre foi um chefe de cozinha enrustido. Certa vez estávamos na deliciosa casa dele em Penedo e passamos o sábado entre a churrasqueira, a piscina e a mesa de truco (na qual ganhei quase todas as partidas, pato!)

Finalizada a comilança, fomos arrumar as coisas e percebi que o francês (apelido carinhoso) estava colocando tudo o que tinha sobrado do churrasco em uma panela. Perguntei o que ia fazer e como resposta fui encarregado de limpar a grelha.

Aquela panela misteriosa passou a noite inteira cozinhando.

No dia seguinte, ele jogou fora as carnes e com a água preparou um capeletti fantástico. Fantástico mas pesado. Conseguimos comer meio prato cada um, por mais que a fome fosse gigante. Mais uma culpa gastronômica, talvez eu pudesse ter comido um pouquinho mais.

Manda a receita, viado! Stumble Upon Toolbar

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Uma semana de blog

Hoje faz uma semana que este blog existe. Uma semana de almoços, jantares e petiscos. Uma semana de histórias. Para comemorar, divulgo o resultado da nossa pequena enquete.

A pergunta era: "O que é pior?"

Em terceiro lugar com um mísero voto (acho que foi da Lorena) ficou a resposta "Comidas nojentas (língua, dobradinha etc).

Em segundo lugar com dois votinhos o ícone da globalização, o McDonald. O que prova pela quantidade imensa de votos, que ainda há lugar nos estômagos para o defenestrado fast food.

E em primeiro lugar, o que a grande massa de participantes (quatro votos) decidiu como o que há de pior no universo da comida: "Ser vegetariano". Uma alegria saber que ainda nos sabemos onívoros! Somos da carne, do sangue e da gordura! E viva o churrasco!

Para não perder o ritmo, deixo uma nova enquete sobre o post abaixo. Vamos ver no que dá.

Update: o puto do programa não me deixa colocar a nova pergunta. O remédio é esperar atá amanhã. Para relaxar, vou tomar um nescau. Stumble Upon Toolbar

Cozinha + Leite humano

Outro dia li uma notícia esquisita. Um chef suíço estava testando leite humano em criações gastronômicas. A onda durou pouco já que as autoridades proibiram a prática com medo de sei lá o que.

Na verdade, esta notícia não serve como notícia, mas como termômetro da infinita idiotice humana. Tudo o que foge um pouco dos costumes estabelecidos é um absurdo, por mais natural que seja.

Doido por uma argumentação, joguei o assunto nas conversas e tive o que queria. As pessoas têm medo da que as mulheres sejam escravizadas para tirar leite, que se crie um mercado negro de leite humano, que crianças morram de fome, que, que, que, enfim, as pessoas têm medo de deixar de entender! E o pior, todo este pavor pela possibilidade do ser humano tomar leite de...seres humanos!

Estou pensando em organizar os bezerros, quem sabe não podemos mudar o mundo. Stumble Upon Toolbar

O Porco e a Lorena


Há um ano fomos a Portugal encontrar mamãe e Marco para uma viagem de uma semana. Nos encontramos no Porto e rodamos de carro algumas cidadezinhas do norte da terra lusitana. Entre indas e vindas, ficamos na casa de um português amigo que nos recebeu. Não lembro o nome da cidade, mas lembro bem da comida.

Como bom português, Agostinho (Augustinho ou algum nome similar) não aceitava negativas como resposta. Independente do que íamos fazer, era obrigatório tomar café, almoçar e jantar na casa dele. A "desculpa" de que estávamos à turismo e que queríamos conhecer alguns lugares não colava de jeito nenhum.

Pois bem, um belo dia, quando íamos comprar jornal na tendinha, o português - com ares de general - me intimou a buscar a máquina fotográfica e acompanhá-lo, queria que registrássemos um acontecimento. Prontamente obedecemos e o seguimos. Três homens e duas mulheres com cordas e instrumentos se preparavam para matar um porco.

Com a cena sendo montada, Lorena imediatamente se afastou e eu, bancando o macho, preparei a maquina e aguentei firme.

Juntas, as cinco pessoas levantaram o porco e o colocaram sobre uma velha mesa de madeira. Uma mulher agarrada a uma corda segurava as duas patas dianteiras e outro homem as patas traseiras. O portuga, dono da casa, esperava pacientemente a hora de usar a faca que tinha nas mãos e o terceiro homem segurava o dorso do bicho. A última personagem somente olhava com um balde na mão. Ah! Tinha um menino que foi proibido de participar do evento e ficou brincando perto da longinqua Lorena.

O porco, que não era burro, percebeu a merda e começou a guinchar. Olhei pra Lorena, mas não a encontrei (a sacana já tinha sumido) e quando voltei meus olhos e a máquina a faca já estava na jugular do bicho. Bambeei. Para não cair, resolvi me concentrar nas fotos.

A mulher do balde, com uma agilidade incrível, o posicionou sob o porco para recolher o sangue. Os outros seguravam o animal que neste momento tirava uma força sobre-suína não sei de onde. A Lorena já devia estar sob as cobertas e eu clicando.

Para resumir, mataram, queimaram para tirar os pêlos e começaram com os cortes. O menino que antes estava longe já ajudava todo sorridente os adultos. A mulher do balde mexia o sangue para não coagular. O portuga da faca olhava orgulhoso para a cena como um coronel que tinha vencido uma batalha. E eu só pensava no que iam cozinhar de noite.

Algumas horas depois nos deliciamos com um cozido fantástico regado à vinho verde caseiro. Eu comi extasiado, sem tempo de lembrar dos gritos do porco, já a Lorena...

E a conclusão final, por mais que às vezes nos esqueçamos, ainda somos animais. Stumble Upon Toolbar

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O Bife à cavalo (memórias 256)

Tem caras e gestos que só deciframos depois de décadas passadas. Essa história conta um destes casos. Papai sempre foi um batedor de pratos profissional, mas nunca foi de cozinha. Não lembro de vê-lo cortando uma cebola ou escolhendo algum tempero.

Por outro lado, lembro bem - ainda brincamos com esse assunto - quando preparava o tal bife à cavalo. Seus olhos brilhavam e os nossos (meu e de meus irmãos) também. Talvez por ser uma situação insólita ver o pai cozinhando, talvez por representar os sábados e domingos. Tamanha era a loucura da cena que não lembro dele ao pé do fogão, as memórias ficaram no prato e em suas expressões.

Três crianças sentadas esperando o almoço aterrizar na mesa (a Thaizinha ainda era uma idéia). As implicâncias, o garfo que caia, os tapas na orelha. Mas era só o barulho da cozinha cessar que o silêncio tomava conta da cidade, da nossa cidade. Aquele bife mal passado, aquela gordura indecorosa e o ovo, estrelado, estatelado, cobrindo tudo, era o melhor motivo para ficarmos quietos.

Mas melhor que a comida era a cara de expectativa do cozinheiro. Nunca se sabe o que vem de uma criança, ainda mais quando se está competindo com a amada cozinha materna do dia-a-dia. As mãos deixavam os pratos na mesa e os olhos fixavam na gente, como quem espera um sorriso ou um tapa na mesa. A tensão (do pai) só passava quando invariavelmente um de nós estreava o segundo prato, o que sempre acontecia. E a pergunta retórica de pura satisfação, Gostou?, marcava aquela cozinha.

Lembrei disso, pois há um mês preparei um peixe para a família da minha mulher que veio nos visitar. Comprei os dourados, preparei e servi. Naquele momento em que ainda de pé esperava algum palavrão ou um sorriso, lembrei do bife à cavalo e entendi o que acontecia há 15 anos atrás.

Evidentemente, como manda a tradição da nossa cidade, eu fui o primeiro a repetir. Stumble Upon Toolbar

domingo, 2 de novembro de 2008

Chuva

Faz cinco dias que chove ininterruptamente em Barcelona. Esse dilúvio me fez lembrar do Rio e, é claro, comparar. Depois de tanta água, nenhuma rua ficou alagada, poucos acidentes foram registrados, nenhum rio transbordou e as areias das praias continuam livres de línguas negras.

Sem contar que Barcelona tem ladeiras, morros, um centro que é mais velho que a própria Europa e dois rio grandes que cercam a cidade.

Estou pensando em abrir uma empresa para exportar políticos....

Update: minha mulher disse que este post não tem nada a ver com comida. Pois bem, enquanto chovia eu pensava em fazer feijão preto. Resultado: a chuva torrencial produziu o melhor feijão de Barcelona. E tenho dito! Stumble Upon Toolbar

Massa na estante

Poucos povos são tão apaixonados por comida como os italianos. Eles preparam a massa, os molhos e se negam, terminantemente, a comer qualquer coisa que venha de alguma fábrica. Macarrão de mercado é pecado sério.

Tivemos a fantástica oportunidade de visitar Roma com nossos amigos romanos. Faz toda a diferença. Na primeira noite, fomos comer numa pizzaria de um amigo por tabela. Sorte e azar. Sorte, pois nunca vi tanta comida junta. Muzarelas de 20cm de diâmetro, bolinhos de tudo que se possa imaginar e um calzone indescritível. O azar é que cometi meu primeiro pecado: não aguentei e deixei comida no prato. Ainda hoje, aquele calzone voltando pra cozinha me pesa a consciência.

No segundo dia, ainda com o estômago trabalhando, fomos tomar o café da manhã na casa da tia de uma de nossas amigas. De novo, comida para uma legião! A senhorinha preparou três bolos diferentes, meia dúzia de tortas salgadas e ainda por cima, vinho; às dez da manhã! Cometi meu segundo pecado: comi pouco e ainda acho que a tiazinha ficou decepcionada.

Entre pizzas e macarronadas, deu tempo de conhecer o Coliseu e o Vaticano, mas o que marcou mesmo foi a comida, e que comida.

Update: ontem fomos à casa da italiana que nos acompanhou à Roma para comemorar seu aniversário. Enquanto comíamos (claro) me dei conta de uma coisa genial. Pacotes e mais pacotes de massa caseira ocupavam toda uma prateleira da estante da sala. Comida é assunto tão sério, que rivaliza com livros e televisão.

Das conversas:
1) Nunca em nenhuma hipótese corte o espaguete
2) Nunca em nenhuma hipótese coloque óleo ou sal na água onde se ferverá a massa.
3) Jogue fora os molhos de tomate e use....tomates!
4) Basil, orégano etc só se forem naturais.

Já estamos negociando uma viagem para a Itália de novo. Desta vez, não queremos perder um minuto com pontos turísticos. O objetivo é somente comida.

Update do comentário da Vivian: Segundo os italianos, massa boa já vem com gosto, por isso a ojeriza a óleo e sal na água... Stumble Upon Toolbar

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Quando um Pizza Hut salva o dia...

Eis que estamos em Stratfort. Pequena cidade cerca de Londres onde - dizem - nasceu e viveu um certo Shakespeare. Depois de, literalmente, atravessar rios, visitar castelos e nos perder nas estreitas ruas da cidade medieval, uma fome bárbara invade nossos espíritos.

Olha daqui, busca dali e os únicos lugares para comer apresentam um cardápio digno dos cavaleiros da Távola Redonda: Kidney Pie (Torta de Rim), Black Pudding (um pudinzinho feito com sangue e gordura de porco) e outras iguarias. Tudo servido não com coca-cola, mas com Ale (um tipo de cerveja forte criada há três mil anos).

A proposta é simples, entramos em qualquer pub, pedimos qualquer coisa e acabou-se o problema. No entanto, como alguns já sabem, nem todo mundo gosta de almoçar um pudim feito de sangue de porco e a proposta foi prontamente rejeitada por minha amada mulher.

Fomos em busca da salvação. Depois de mais algumas dezenas de minutos andando, surge diante de nossos olhos o vermelho letreiro do PizzaHut "Rodízio de pizza por 7 libras", com direito a coca-cola infinita. Com lágrimas nos olhos e saliva escorrendo, adentramos o local para esbaldar-nos no que já conhecemos.

A cultura globalizada salvou o nosso dia.

(muito depois, tive a oportunidade de comer a tal torta de rins. Não lembro o que achei, pois foi no mesmo dia que descobri uma maravilha chamada Jameson (google it). Da próxima vez que visitar Londres vou ser obrigado a provar de novo)

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Ensinamento...

Londres, um ano e meio atrás. Primeira semana trabalhando na cozinha. Nenhuma idéia de nada e ainda por cima sem entender uma palavra do que me diziam. A headchef me pede para preparar alguma coisa. Meu Deus! Não sei fritar um ovo, porra! Em desespero, olho pro Fernando - grande amigo gaúcho que me colocou naquela furada - e vejo suas mãos discretamente me pedindo calma.

Faço que sim com a cabeça e espero a chef ir embora. Viro pro Fernando, suando de pânico e o puto me pergunta, Entendeu? Claro que não, porra! Só sei dizer meu nome, caralho! Depois do quinto palavrão e dos cinco minutos de gargalhadas dos companheiros da cozinha, me acalmo e peço que me traduzam a porra da ordem.

O gaúcho, ainda rindo, me mostra onde está a geladeira e me explica que a chef quer que eu prepare frango com pesto e batata com alecrim. Não tenho idéia do que seja pesto e muito menos sei identificar um alecrim. Vamos juntos e paro dentro da geladeira - um frio polar - tentando identificar os ingredientes, não consigo.

Com a calma dos farroupilhas, o chaval na maior cara lavada me diz, Bruno, fica tranquilo. Pega tudo que você achar bonito e colorido, coloca num pote e mistura com a galinha, vai ficar bom. Sem ter idéia do que estava fazendo, acabo misturando pesto, sal, azeite, pimenta e um dúzia de ervas diferentes. Boto no forno, com ajuda é claro já que não via nenhuma diferença entre 80 e 250 graus e espero.

No final da noite, a chef entra na cozinha, séria e pergunta: quem fez o frango? Na certeza da demissão, dou um passo a frente, cabeça baixa e espero. Ficou ótimo! Os clientes adoraram! (não entendi o que ela tinha dito, porém mais de uma pessoa me confirmou que era isso mesmo). A cozinha inteira segura o riso e eu lembro que na confusão não tinha provado minha própria comida.

Lição: faça rindo, não misture sabores fortes e ajuste o sal. O resto é virtuosismo. Stumble Upon Toolbar

E Catalunha, o que é que tem?

Cada lugar no mundo tem alguma especialidade gastronômica. Até Londres tem a sua. Mas o que é realmente tradicional na Catalunha? A resposta: pão com tomate. Parece simples e é, mas nunca uma idéia tão singela pôde ser tão boa. Para se ter uma idéia o pão com tomate daqui não é igual ao de Madrid.

Existem duas maneiras de preparar um bocata. Anota aí:

Com dente de alho cru:

1) Coloque um pão de forma (ou dois, ou três) na torradeira - fica melhor com ciabatta tostada;
2) esfregue um dente de alho no pão até que a superfície esteja tomada de fiapinhos;
3) corte um tomate ao meio e esfregue para que o suco fique todo no pão (para lembrar, semente de tomate não dá câncer);
4) coloque azeite;
4) salpique sal e bota pra dentro

Com pasta de alho:

1) Compre um francês (aqui compramos o pão cru e colocamos no forno),
2) esfregue a outra metade do tomate;
3) espalhe a pasta de alho;
4) jogue o azeite;
5) complemente com algum frio (aqui, a bocata tradicional leva jamon ibérico - o nosso presunto de parma - ou chouriço)
6) feche o pão, namore um pouquinho o azeite que escorre para o prato e bota pra dentro.

E viva o bocadillo! Stumble Upon Toolbar

Os mistérios da Lingua...

Enquanto comedor, preparar uma língua sempre foi um mistério, a ponto de trazer da minha mais terna infância a idéia de que cada fatia de língua fosse uma língua inteira, talvez de um bezerro. Mas as coisas mudam e a língua pode se tornar um prato facílimo de preparar.

Aqui em casa como minha mulher só gosta de frangos, espinafre, ricota e variantes, tenho que preparar as comidas "nojentas" só para mim. Da primeira vez que comprei uma língua - no templo da comida, La Boqueria - pedi uma inteira, muito para uma pobre pessoas, além de esqueci de pedir ao açougueiro que tirasse a capa, o que me deu o triplo de trabalho na preparação.

Da última vez, fui mais maduro e pedi só metade além de lembrar de implorar ao açougueiro que tirasse a pele. Me explico, para tirar a pele da língua é preciso fervê-la na água por muito tempo até que se solte completamente (a situação muda se tiver uma panela de pressão, que não é o meu caso).

Pois bem, esta é fácil: depois de limpa, corte em fatias e espere. Refogue cebola e alho (no meu caso, bastante alho). Jogue as fatias dentro da panela, espere pegar uma cor e taque o tomate. Quando o tomate virar suco, jogue água até cobrir tudo. Se quiser, corte umas batatas e bote na panela também. Salsinha, pimenta, sal e espere ficar pronto. O marcador é a batata, quando ela estiver no ponto, a língua também vai estar.

Um prato de arroz, língua com batatas e farinha (pura), a única coisa que vence isso é uma churrascaria. Stumble Upon Toolbar

Achei a Rabada!

Depois de subir montanhas, atravessar rios, navegar por dias e dias, meu estomago me levou até a rabada. Aconteceu em Sevilla, no meio daquela atmosfera de igrejas e palácios da época dos mouros.

Nos sentamos para comer debaixo de um sol de 40 graus, pedimos um vinho tinto local e o menu. As meninas pediram frangos e variantes e eu fiquei na dúvida entre um bife de alguma coisa e alguma coisa chamada "Cola de toro". Era tanta fome que não me dei conta do que tinha diante dos meus olhos e por pouco não pedi o tal bife.

Vinte minutos depois, eis que o garçom vem gingando com aquele prato de alguma coisa, coloca na minha frente e me olha. Olho para o prato, olho para ele, olho para as meninas que saboreavam os frangos e variantes e retorno meus olhos para o meu prato. E esse é o exato momento em que quase derrubo a mesa de alegria. A rabada estava ali! Perfeita! Com a carne soltando do osso, temperada na pimenta e no cumim!

Comi a rabada como quem estivesse sem comer por semanas. Suei como nunca, mas aquele passeio em Sevilla nunca será esquecido.

Era tanta a fúria que nem notei que faltava o agrião. Stumble Upon Toolbar

Paella, a busca interminável

Desde que cheguei na Espanha, meu objetivo maior é encontrar aquela Paella. Já pedi Paella em botequim, em restaurante caro, em cafés, mas ainda não tirei a sorte grande. A última que me deu alguma alegria foi comida em Menorca, mas não atingiu as partes corretas do cérebro.

Em Barcelona, a melhor é preparada todas as quartas-feiras num restaurante pequeno chamado Insbruck, perto da Sagrada Família. Tem poucos frutos do mar e quase nada de frango e carne. No entanto, o arroz é imbatível. De tanto ir neste lugar, já guardam meu prato caso eu me atrase na hora do almoço.

Enquanto não encontro a boa, vou conversando e colhendo informações. Segundo amigos das mais diferentes regiões da Espanha, a melhor Paella é feita em Valência - ainda não tive a oportunidade de conhecer - e não leva frutos do mar, carne nem frango. É preparada com carne de perdiz e caracóis brancos. De acordo com a galera, cada caracol destes custa cerca de seis euros e faz com que o arroz fique com um sabor inigualável. Um dia chegará a hora.

Aos cozinheiros de plantão, uma dica: colocar açafrão na Paella é crime hediondo. Os espanhóis usam corante para não mudar o sabor da comida. E diferente do que estamos acostumados no Brasil, a Paella original mistura camarão, sépia, pedaços de frango , pedaços de carne e não leva postas de peixe. Stumble Upon Toolbar

Dobradinha enlatada

Achado! Depois de um ano e pouco morando em Barcelona, eis que dou de cara com a mágica dobradinha enlatada. Para os puristas pode parecer uma péssima idéia, mas fazer uma tripa dá um trabalho danado e no final pode ser que não fique boa.

O nome para dobradinha aqui é Callos e é exatamente igual a que comemos no Brasil: um pouco de molho de tomate, batatas e algum embutido. Acabei de traçar uma lata, que me fez esquecer a tragédia que foi a última vez que tentei cozinhar tripa.

Para aqueles que começam a querer aprender a cozinhar e não querem comer algo com cheiro de merda (literalmente) a dica é esfregar a tripa até sair toda aquele pele (segundo a minha mulher, mega-nojenta), depois cozinhar duas a três vezes. Na primeira, coloque algumas fatias de limão e deixe cozinhar, espere uns 30 minutos, troque a água e se continuar com cheiro, ponha mais limão. Troque de novo a água e deixe cozinhar até que o cheiro desapareça.

Se não quer ter trabalho, enlatado pra dentro. Stumble Upon Toolbar

Apresentação!

Sou leitor de mim mesmo. Crio blogs para mim mesmo e os fecho quando a idéia começa a cansar. E a idéia agora é falar de comida, o único tema que ocupa minhas idéias pelo menos quatro vezes ao dia. Este blog vai servir como referência para o meu cotidiano - minha memória é péssima e para lembrar preciso escrever. Sorte para mim; tomara que eu goste dos meus próprios textos. Stumble Upon Toolbar