terça-feira, 4 de novembro de 2008

O Porco e a Lorena


Há um ano fomos a Portugal encontrar mamãe e Marco para uma viagem de uma semana. Nos encontramos no Porto e rodamos de carro algumas cidadezinhas do norte da terra lusitana. Entre indas e vindas, ficamos na casa de um português amigo que nos recebeu. Não lembro o nome da cidade, mas lembro bem da comida.

Como bom português, Agostinho (Augustinho ou algum nome similar) não aceitava negativas como resposta. Independente do que íamos fazer, era obrigatório tomar café, almoçar e jantar na casa dele. A "desculpa" de que estávamos à turismo e que queríamos conhecer alguns lugares não colava de jeito nenhum.

Pois bem, um belo dia, quando íamos comprar jornal na tendinha, o português - com ares de general - me intimou a buscar a máquina fotográfica e acompanhá-lo, queria que registrássemos um acontecimento. Prontamente obedecemos e o seguimos. Três homens e duas mulheres com cordas e instrumentos se preparavam para matar um porco.

Com a cena sendo montada, Lorena imediatamente se afastou e eu, bancando o macho, preparei a maquina e aguentei firme.

Juntas, as cinco pessoas levantaram o porco e o colocaram sobre uma velha mesa de madeira. Uma mulher agarrada a uma corda segurava as duas patas dianteiras e outro homem as patas traseiras. O portuga, dono da casa, esperava pacientemente a hora de usar a faca que tinha nas mãos e o terceiro homem segurava o dorso do bicho. A última personagem somente olhava com um balde na mão. Ah! Tinha um menino que foi proibido de participar do evento e ficou brincando perto da longinqua Lorena.

O porco, que não era burro, percebeu a merda e começou a guinchar. Olhei pra Lorena, mas não a encontrei (a sacana já tinha sumido) e quando voltei meus olhos e a máquina a faca já estava na jugular do bicho. Bambeei. Para não cair, resolvi me concentrar nas fotos.

A mulher do balde, com uma agilidade incrível, o posicionou sob o porco para recolher o sangue. Os outros seguravam o animal que neste momento tirava uma força sobre-suína não sei de onde. A Lorena já devia estar sob as cobertas e eu clicando.

Para resumir, mataram, queimaram para tirar os pêlos e começaram com os cortes. O menino que antes estava longe já ajudava todo sorridente os adultos. A mulher do balde mexia o sangue para não coagular. O portuga da faca olhava orgulhoso para a cena como um coronel que tinha vencido uma batalha. E eu só pensava no que iam cozinhar de noite.

Algumas horas depois nos deliciamos com um cozido fantástico regado à vinho verde caseiro. Eu comi extasiado, sem tempo de lembrar dos gritos do porco, já a Lorena...

E a conclusão final, por mais que às vezes nos esqueçamos, ainda somos animais. Stumble Upon Toolbar

Nenhum comentário: